Fonte: Vegetariano Brasil

Por Helena B Lorga, Isabella Leal e Laura Cometto

Você com certeza já ouviu falar dos vegetarianos, aqueles que não comem carne. Mas já ouviu falar do veganismo? Provavelmente, esse termo já deve ter aparecido para você, seja em restaurantes, em notícias ou em formas de ativismo pelas ruas. Essa palavra significa uma dieta vegetariana restrita. Uma alimentação sem nada de origem animal.

De acordo com a nutricionista Letícia Manduca, especialista em nutrição clínica funcional, a dieta vegana privilegia alimentos isentos de corantes e conservantes, dando preferência à comida orgânica e naturalista. É um mercado que vem crescendo nos últimos cinco anos e que tende a ser reconhecido como uma cultura e uma filosofia de vida, na qual, entre outros fatores, o empreendedor independente é mais valorizado.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Ibope, realizada em 2012, 8% da população brasileira é vegetariana, o que corresponde a 16 milhões de pessoas. Uma estimativa feita pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) sugere que, dentro dessa categoria, 5 milhões sejam veganos. “De janeiro de 2012 a julho de 2016 o volume de buscas pelo termo ‘vegano’ cresceu 1000% (mil por cento) no Brasil”, informa a instituição em seu próprio site. De acordo com a SVB, já existem cerca de 240 restaurantes vegetarianos e veganos no país, além de umenorme expansão nos lançamentos de pratos em estabelecimentos alimentícios não vegetarianos.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, em janeiro de 2017, mostrou que 63% das pessoas desejam reduzir o consumo de carne, 73% se sentem mal informados em relação à produção e 35% afirmaram que comem carne, mas se preocupam com os impactos na saúde. Em 2015, um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontou uma queda de 8% na ingestão de carne bovina no Brasil ao longo de 15 anos, o que registrou o menor nível desde o ano de 2001.

Por causa disso, nos supermercados já é possível encontrar muitas versões vegetarianas e veganas de produtos à base de carne ou leite, mas em inúmeras cidades a oferta é escassa, quando não inexistente. Outro problema são os preços, quase sempre mais altos que o de alimentos produzidos em larga escala.

Não é só no Brasil que as pessoas estão adotando a alimentação vegetariana: uma pesquisa feita pelo Vancouver Humane Society, em junho de 2015, mostrou que no Canadá 30% da população ou é vegetariana ou tem procurado reduzir o consumo de carne.

Luisa Moraleida é jornalista, influenciadora digital e criadora de conteúdo do restaurante Raízes Zen, no bairro de Perdizes, em São Paulo. Ela explica que o público que frequenta o estabelecimento, na maioria, é formado por estudantes da PUC, devido à proximidade do local. Por esse motivo, em períodos de férias, o restaurante tem uma queda no movimento. O lugar, que não oferece nenhuma opção de carne para seus clientes, vem desenvolvendo algumas atividades para chamar mais a atenção do público não acadêmico.

Além de cuidar do conteúdo do Raízes, Luísa é bem ativa em sua rede social, com aproximadamente 30 mil seguidores no Instagram. Para ela, a internet é fundamental para o crescimento desse mercado. A jornalista abriu sua conta em fevereiro de 2017. Em um ano e dois meses, essa plataforma tem sido usada por ela para informar sobre o estilo vegano, com um crescimento explosivo no número de seguidores. “Migrar para outras plataformas, como o Facebook e o YouTube, me abriu um leque muito grande, aumentando muito o número de pessoas que me seguem”.

A grande maioria do seu público não é vegano, mas pessoas interessadas em uma alimentação mais saudável e numa forma de vida mais sustentável, o que aumentou sua projeção no Instagram. “O crescimento pela procura do veganismo coincidiu com o crescimento do meu Instagram. Por serem poucas pessoas que começaram falando sobre o veganismo, eu tive uma visibilidade maior em curto tempo”.

Outro empreendimento bem-sucedido é o “Shanti alimentação vegana e bem-estar”, criado por Cibelle Nahas, que trabalha sob encomenda e entrega comida vegana em locais para revenda. O local se situa na Alameda Campinas, no Jardim Paulista.

A ideia nasceu da busca de um ideal: “Quando saí de um trabalho fixo, já estava no processo de buscar outra fonte de trabalho que me trouxesse mais prazer e um sentido maior de vida, além de trabalhar com a causa animal e veganismo. Já tinha feito curso de formação em terapeuta ayurveda e sou vegana. Assim, resolvi criar a Shanti, aliando o amor aos animais com a nutrição ayurvédica e saudável, mas com muito sabor”, conta Cibelle.

Divulgado em redes sociais e folhetos para pessoas físicas, o serviço tem aumentado o número de clientes ao longo do tempo, inclusive a penetração em revenda. Isso ajudou a superar as dificuldades financeiras do começo, possibilitando a contratação de empregados e a perspectiva de criação de um espaço físico próprio. “O que me impulsiona é que estamos fazendo o bem para os animais que tanto amamos”, comenta Cibelle.

O impacto considerável que a agropecuária pode causar vai além da saúde e da ética, e, por mais surpreendente que seja, abrange também a economia. A dieta da população tem grande influência nos resultados da economia nacional e global. Uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal é considerada muito mais viável, porque precisa de bem menos espaço, água e recursos para produzir proteína, nutrientes e calorias essenciais ao desenvolvimento humano.

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