Por Amanda Leite e Valentina Castro

 

Exposição acontece até dia 7 de abril no CCBB de São Paulo. (Foto: Valentina Castro)

Mais de 80 obras do nova-iorquino Jean-Michel Basquiat estavam em exposição no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo. A mostra, que retomou a jornada do artista, chegou à capital paulista no dia 25 de janeiro e permaneceu até dia 8 de abril para depois ser exibida em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A retrospectiva do afro-americano foi concebida com obras da família Mugrabi, dona das maiores coleções de Basquiat e também Andy Warhol.

Basquiat, apesar dos poucos anos de vida, é considerado um dos maiores artistas do modernismo. Nasceu em 1960 e morreu aos 27 anos, de overdose. Seu pai era haitiano e sua mãe, descendente de imigrantes porto-riquenhos. O artista era reconhecido como um garoto excepcionalmente inteligente. De acordo com o curador da exposição Pieter Tjabbes, Basquiat é um dos maiores artistas de ascendência afro-caribenha e é exaltado em todo o mundo. “Sua obra reflete os ritmos, os sons e a vida da cidade. Ela sintetiza o discurso artístico, musical, literário e político de Nova Iorque durante este período tão fértil”, completa Tjabbes.

Heart Attack (1984) (Foto: Valentina Castro)

“Sua arte reivindicava direitos, falava sobre questões sociais. São obras de questionamento”, explica Maria Inês Duarte, professora de Arte Contemporânea da PUC-SP. Em sua breve carreira, Basquiat trouxe à tona a negritude e traumas experimentados pelos negros nos EUA.  “Eu percebi que não via muitas pinturas com pessoas negras”, disse um dia o próprio pintor, para logo enfatizar: “o negro é o protagonista da maioria das minhas pinturas”.

SOBRE A EXPOSIÇÃO

Exposição ainda passará por Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. (Foto: Valentina Castro)

O CCBB apresentou a mostra em ordem cronológica, começando pelos anos 1976-1979, destacando os desenhos de Basquiat. As primeiras obras foram produzidas quando o nova-iorquino tinha apenas 16 anos e assinava com o seu pseudônimo SAMO. Em 1979, o codinome é abandonado, numa intervenção na cidade que aumentou ainda mais sua notoriedade: a inscrição “SAMO is dead” apareceu grafitada no SoHo, no baixo Manhattan, bairro que marcou a história da arte norte-americana do período. Em seguida, o museu expõe obras dos anos de 1980-1982, um dos períodos mais produtivos de Basquiat. Muitos dos seus trabalhos dessa época foram pintados em portas, em esquadrias de janelas e em peças de madeira jogadas fora e que ele achava pelas ruas.

Entre 1984 e 1985, ele e Andy Warhol trabalharam em parceria em uma série de quadros. O público brasileiro pôde ver “Heart Attack” (Infarto, 1984). Nesse período, Basquiat é um artista celebrado, disputado pelas galerias e com frequentes exposições internacionais – em 1988, ano de sua morte, expôs na França e Alemanha. Entre os trabalhos desses anos, estava exposta “Rusting Red Car”  (carro vermelho enferrujado, 1984).

 

Vídeo sobre a exposição

 

 

Entrevista com Maria Inês Duarte, professora de Arte Contemporânea da PUC-SP

 

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