Por Aline Reis e Larissa Coelho

 

Foto: Larissa Coelho

 

O núcleo de mineração na cidade de Diamantina, Minas Gerais, começou no início do século XVIII, explorando ouro e, posteriormente, diamantes. Ao longo do século XIX, a economia mineradora passou por um período de grande expansão, permitindo inclusive o crescimento de negócios na área da agricultura, indústria e comércio. Essa expansão serviu para sustentar um surto industrial que durou até meados do séc. XX. Chichico Alkmim, ao longo de seu trabalho, retratou pela fotografia a realidade contrastante das combinações econômicas e sociais da população de Diamantina em meio à suposta riqueza industrial.

Chichico Alkmim nasceu em 1886 e passou da infância até começo da vida adulta viajando por Minas Gerais com seu pai, vendendo jóias. Estabeleceu-se, posteriormente, em Diamantina, onde montou seu estúdio fotográfico definitivo em 1919. Sua fotografia permeava os eventos populares da cidade, não se fixando em retratar a burguesia. Batismos, casamentos, retratos de família ou funerais; o cotidiano da população e a vida que acontecia nas ruas de Diamantina era o principal foco das lentes de Chichico.

 

Foto: Aline Reis

 

A exposição“Chichico Alkmim, fotógrafo”, com curadoria de Eucanaã ferraz, organiza por ordem cronológica as obras do fotógrafo, apresentando diferentes salas ambientadas. Uma das seções fica reservada unicamente para mais de uma centena de negativos iluminados, apresentando múltiplas exposições em uma mesma chapa de vidro, técnica que foi desenvolvida e aperfeiçoada por Chichico. Toda a mostra é envolta em um clima nostálgico e, ao mesmo tempo, de denúncia, apresentando a realidade da população que tentava se reerguer após o declínio da exploração mineira.

O cuidado com que Chichico retratava os moradores de Diamantina foi o ponto de maior destaque na opinião do público que compareceu à exposição. “Gostei, particularmente, da maneira que o fotógrafo retratou a sociedade da época de uma maneira mais igualitária. Vemos uma variedade de famílias muito grande, pessoas de diversas cores e classes sociais”, afirmou Nina Carvalho, de 21 anos. Vinicius Bernardes, de 30 anos, ressaltou a técnica do fotógrafo: “fiquei impressionado ao ver os negativos, ainda mais por ser uma técnica desenvolvida por ele. Percebe-se não apenas o trabalho bem feito e cuidadoso do fotógrafo, mas também a maneira pela qual ele enxergava a sociedade da época. É uma mostra cheia de críticas sociais, na minha opinião”.

 

Foto: Larissa Coelho

Para o curador, Eucanaã Ferraz, Alkmim foi além da expressão de uma cidade em si. “Chichico fez uma espécie de retrato do Brasil. Quase como se você visse a construção racial, social e histórica, não só de Minas gerais, mas de uma grande parte do Brasil. Uma exposição que tem uma marca histórica muito grande, mas que é, acima de tudo, sobre pessoas”, diz.

A exposição é dividida em “O Ateliê É O Mundo”, “Evocação”, “Diamantina”, “O Ateliê Lá Fora”, “Nosso Rosto” e “Museu de Bolso”. Cada parte da mostra revela e destaca um dos vários aspectos da fotografia de Chichico, que tinha como resultado de seu trabalho uma espécie de crônica do dia a dia da população de Diamantina, Minas Gerais. “Chichico Alkmim, fotógrafo”, fica em cartaz na Galeria 3 do IMS Paulista até 15 de abril de 2018.

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