Um pedaço da Bolívia na capital paulista

Por Amanda Pucci e Maria Clara Serpa

 

Andando pela Zona norte da capital, entre as regiões do Pari e Canindé, é como se encontrássemos um pedacinho de La Paz. É lá que todo domingo acontece na Praça da Kantuta a Feira Boliviana. Uma iniciativa que mantém viva a identidade cultural de um povo que deixou seu país em busca de melhores condições de vida.

São Paulo é um polo de culturas que abriga imigrantes de diferentes nacionalidades. Segundo dados não oficiais, há mais de 300 mil imigrantes da Bolívia vivendo na Grande São Paulo. Em sua maioria, chegaram ao Brasil no início da década de 1990, de acordo com dados do Serviço Pastoral do Migrante, e já se tornaram a segunda maior colônia de estrangeiros na capital, ficando atrás apenas dos portugueses.

Desde 2001, a praça é um ponto de encontro dos imigrantes bolivianos que moram em São Paulo. Hoje, ela recebe turistas e paulistanos em busca de sabores diferentes e do anseio por conhecer novas culturas. De fato, no local é fácil sentirmo-nos como verdadeiros estrangeiros em meio à naturalidade com que feirantes e frequentadores transitam no local.

A atividade é tão importante que, em 2004, a praça que sedia a feira ganhou o nome da flor boliviana em forma de sino encontrada nos vales altos da Cordilheira dos Andes, a Kantuta, que leva em suas cores o verde, amarelo e vermelho, assim como a bandeira do país.

A feira é tímida no tamanho, porém grandiosa na organização. Nas barracas, encontramos muitas variedades; artesanato, comidas típicas, instrumentos musicais, CD´s, malhas, bolsas, temperos, chás e outros itens culinários. Tudo tipicamente andino.

Barraquinha de artesanato. Foto: Amanda Pucci

 

 

 

O clima fica completo com um DJ que toca músicas bolivianas durante o decorrer da tarde. São muitos os detalhes que tornam uma visita a feira completa, desde tendas que oferecem serviços de corte de cabelo, sobrancelha e maquiagem, aos muros ao redor da praça que estampam artes relativas à identidade boliviana.

Tenda de corte de cabelo. Foto: Amanda Pucci

 

 

Além de danças folclóricas que são ensaiadas abertamente durante os dias de feira, em datas comemorativas como o carnaval e a Independência da Bolívia são organizadas apresentações especiais com músicas e danças.

Ensaio de danças folclóricas. Foto: Amanda Pucci

 

A praça também possui uma quadra que recebe jogos de futebol, seja de campeonatos amadores organizados pelos bolivianos, ou pequenas partidas apenas para diversão.

Jogo de futebol na quadra da Praça. Foto: Amanda Pucci

 

Para os que querem provar um pouquinho da culinária, a sugestão é começar com as famosas salteñas bolivianas (um tipo de salgado assado e recheado, lembrando as empanadas argentinas) acompanhadas de um Mocochinchi, típico chá de pêssego desidratado, cravo e canela.

Salteña acompanhada de Mocochinchi. Foto: Amanda Pucci

 

Também é possível encontrar outras bebidas típicas, como a Paceña, cerveja boliviana mais popular, similar às cervejas populares brasileiras, o refrigerante Inca Cola ou um copo de Chicha, uma bebida fermentada a base de milho com 2% a 3% de álcool. Ela é uma bebida peculiar, tem aroma bem marcante de milho e um sabor ácido e avinagrado. Caso alguém não queira encarar algo tão inusitado, a bebida também é vendida com a adição de frutas como o morango, o que a torna mais agradável ao paladar.

Algo que chama a atenção é o preço baixo dos pratos. O Silpancho, por exemplo, um grande empanado de carne e pão, ovo, arroz ou macarrão e uma salada, tudo com uma bela porção de batata frita, sai por R$ 13.

Outras recomendações são o Pique Paceño, uma porção de batatas fritas, carne bovina e linguiça, que sai por R$ 14; e a Sopa de Mani, uma sopa grossa de milho com macarrão e batata, por apenas R$ 9.

Na Praça, entre as barraquinhas de artesanato e gastronomia, também encontramos a tenda do Projeto Sí, Yo Puedo!

Tenda do projeto Sí, Yo Puedo! Foto: Amanda Pucci

 

O projeto foi idealizado por Verônica Quispe Yujra, atual coordenadora, e foi colocado em prática em 2012 e é formado por voluntários de várias nacionalidades, que construíram um espaço de acolhimento ao imigrante, com ações voltadas à orientação para acesso à educação, trabalho, saúde, regularização migratória, ensino da Língua Portuguesa e empreendedorismo.

Verônica conta que a feira começou cerca de três anos antes, em uma igreja do Bom Retiro. “Era um ponto de encontro dos bolivianos, onde comerciantes, incluindo meus pais, vendiam artesanatos e comidas típicas. Conforme a feira foi crescendo, os vizinhos começaram a se incomodar e fizeram um abaixo assinado para sairmos de lá. Então desde 2001 a feira acontece aqui na Praça Kantuta, mas começou bem antes.”

A Feira da Kantuta representa a diversidade latino-americana em São Paulo e expõe o que há de mais acolhedor em si: permitir que aconteça essa troca de experiências que resulta em uma enorme contribuição cultural para nosso país.

Como chegar na Feira Boliviana

A feira Kantuta fica próxima à estação Armênia do metrô (linha azul). Descendo na estação, é só sair em direção à Avenida Cruzeiro do Sul e, depois de atravessá-la, caminhar por duas quadras. A praça fica próxima ao Estádio do Canindé.
Horário de funcionamento: todos os domingos entre 11:00 e 19:00 horas.
Endereço: Rua Pedro Vicente, 600 – Praça Kantuta, S/N, Canindé. São Paulo- SP

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