Por  Júlia Andrade e Maria Morales

Museu da Imagem e do Som (MIS) recebe em março e abril duas consagradas exposições. Os artistas Solon Ribeiro e Erwin Olaf expõem seus renomados trabalhos, Quando o cinema se desfaz… e Tensão, em um dos principais museus de São Paulo, o MIS. O primeiro, cearense, é um artista visual, fotógrafo, professor e curador, que tem seu trabalho voltado para a problematização das imagens clichê. O segundo, holandês, percorre o campo da fotografia de arte, videoinstalações e esculturas.

Foto: Maria Morales

Entrada do museu na Av. Europa                                                                          Foto: Maria Morales

Localizada no primeiro andar do museu, Tensão nos convida a imaginar como uma história começa e termina, por meio dos trabalhos de Erwin Olaf. São apresentadas 22 fotos e dez videoinstalações, produzidas pelo artista nos últimos 15 anos. Entre as obras estão Rain (2004), Hope (2005), Le Dernier Cri (2006), Grief (2007), I Wish/I Am/I Will Be (2009) e The Keyhole (2012), além da inédita Shangai (2017), exposta no intimidador espaço redondo.

Imagem de Grief à esquerda e de Shangai à direita                                             Foto: Maria Morales

Buscando reconhecer traços essenciais da vida contemporânea, como o isolamento e a solidão, as dificuldades de comunicação que separam os indivíduos, a busca frustrada por prazer, o conflito de desejos, a rapidez da passagem do tempo e os padrões impostos pela publicidade e pela indústria da moda, as obras apresentadas fazem jus ao nome da exposição.

Porta da obra The Keyhole                                                                                    Foto: Maria Morales

Olaf enfatiza a precisão em todos os elementos visuais que utiliza: iluminação elaborada, maquiagem, cabelo e roupas impecáveis. Essas configurações criam uma sensação de leveza. Mas dentro dessas representações sempre há um subtexto, que aborda tabus sociais e de gênero.

O Museu da Imagem e do Som disponibiliza um catálogo que contém um acervo dos exuberantes trabalhos registrados pelo fotógrafo, o que provoca nos espectadores mais intrigados o interesse por apreciar um pouco mais o trabalho do artista.

Segundo a monitoria do MIS, Erwin Olaf encontra-se doente e, por esse motivo, não pôde comparecer pessoalmente ao museu. Apesar de seu estado, que é grave, em nenhum momento sua fraqueza física refletiu em sua arte. Mantendo a profundidade emocional de seus trabalhos, o artista garante que continuará realizando sua paixão até os últimos dias de sua vida.

Autorretratos de Erwin Olaf abrem a exposição                                                    Foto: Maria Morales

Já, no segundo andar, está instalada a exposição do cearense Solon Ribeiro. Quando o cinema se desfaz… é baseada em uma coleção de mais de 20 mil fotogramas, em geral cliques de protagonistas de filmes clássicos de Hollywood, guardada pelo artista, herdada de seu avô.

A exposição é composta pelo deslocamento dos fotogramas em vídeos e novas imagens, expressando as diferentes interpretações do artista. Eles ganham novo sentido na forma de instalações e projeções performáticas. Os filmes exibidos são produzidos com direção de Solon Ribeiro e mostram a descontextualização do conteúdo dos filmes com performances feitas pelo cearense.

Catálogo de fotogramas original                                                                            Foto: Maria Morales

A coleção original encontra-se exposta, realizando o desejo de quem gostaria de vê-la de perto. Alguns destes materiais estão sendo exibidos dentro de monóculos, pendurados lado a lado, podendo ser manuseados, a fim de possibilitar a análise das imagens.

Solon refaz o cinema ao libertá-lo do padrão de exibição. É poesia pura em imagem. Ele descontextualiza os fotogramas, inserindo-os em um novo contexto. A partir desse conceito, compreendemos o nome da exposição: quando o cinema se desfaz.

Monóculo exposto para visualização                                                                     Foto: Maria Morales

O Museu da Imagem e do Som funciona de terça à sábado, das 12h às 21h, e de domingos e feriados, das 11h às 20h. A entrada é gratuita às terças-feiras e, nos demais dias, os ingressos custam 10 reais a inteira e 5 reais a meia entrada. As duas mostras estarão abertas até o dia 8 de abril.

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