Musical sobre Ayrton Senna traz a velocidade para o palco

Por: Matheus Lopes Quirino – colaboração para a AGEMT  

SÃO PAULO – Assim que as cortinas do Teatro Sérgio Cardoso, no Bixiga, Região Central, são abertas, o público se depara com pilotos de Fórmula 1, mecânicos e demais personagens penduradas por cabos a alguns metros do palco. Suspensos, começam diálogos onde a velocidade é inerente à condição dos próprios personagens – aéreos, sonhadores -. A velocidade é a protagonista no Musical “Ayrton Senna” que, por seu ritmo frenético, apresenta, entre tons mais agressivos e planos de consciência – estes representados até mesmo por personagens físicos – a largada dos anseios do jovem corredor, das garoas de São Paulo ao mito do herói nacional.


Foto: Isabella Marzolla

Segundo Cristiano Gualda, autor do texto que deu base à peça, “o objetivo do musical não é ser cronológico ou estritamente biográfico”. Senna é representado em duas fases que, direta e indiretamente, relacionam-se entre si, compreendidas em sua cabeça. Hugo Bonemer, protagonista do musical, dá vida ao Senna já consolidado. Já João Victor Silva aparece como “co-star” ao brilho do jovem Ayrton, paulistano, que mais tarde nacionalizou-se por completo.

Com viés ora ufanista, ora peculiar – quando a introspecção do corredor é posta à prova em seu próprio pódio, sua cabeça, nas cenas que compreendem seus devaneios -, são desmembrados os desejos, o esforço, o perfeccionismo e a qualidade de “desregrado” com a qual Senna obteve boa fama.

Em uma das cenas que faz referência ao Circuito de Mônaco, o assistente de operações do corredor, representado pelo ator Victor Maia, travestido para própria consciência ou superego do corredor, adverte: “diminua a velocidade, isto é uma ordem!”, mas o piloto acelerava em busca de liberdade.

Segundo o diretor da peça, Renato Rocha, “este musical mostra como é olhar a vida a 300km/h, no limite”. Como antítese do próprio caráter aventureiro de Senna, o musical dá ao espectador a faceta mais lúdica do medo da morte, representada por caveirinhas ao estilo “día de los muertos” com fantasias neon.

A dança com o medo faz, justamente, a contraposição entre o “quebrador de recordes” e o flerte com o perigo. A própria canção, embebida por performances no plano desta consciência fantasmagórica, diz “quem tem medo que o medo tome conta de si mesmo, nunca poderá sonhar”.

Senna sonhou alto e, acometido pelo mau tempo, encerrou sua carreira precocemente em um acidente de corrida no GP de San Martino, em 1994, na Itália. Contudo, o musical não deixa de exaltar sua magnitude como corredor, sonhador, filho de pais preocupados, menino levado e, consequentemente, ídolo de uma geração que continua sensível à simples menção de seu legado.

MÚSICA 

As canções não perdem para o ritmo veloz de como são apresentadas, dançadas e encenadas. Segundo o diretor musical, Felipe Habib, “um tom mais agressivo nos arranjos foi necessário para aludir à sonora mais poluída de como são as corridas. Estes arranjos têm dois vieses: ora conectados com a corrida, ora com a pessoa”.

Sendo esta velocidade um aspecto preponderante no musical, a produção também investiu em lasers e em uma montagem de um “superpneu” que se relaciona bem com uma roda gigante e seus altos e baixos. O tema musical utilizado nas transmissões televisivas que ecoavam nos domingos de manhã também não ficou de fora. Segundo o diretor da peça: “O protagonista e a vinheta são indissociáveis”.

AYRTON SENNA, O MUSICAL 

DIREÇÃO: Renato Rocha

ELENCO: Hugo Bonemer, Victor Maia e João Victor Silva

DIREÇÃO MUSICAL: Felipe Habib

QUANDO: 16 de março a 03 de junho

ONDE: Teatro Sérgio Cardoso

QUANTO:  R$ 50,00 A R$ 150,00

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