Por Lucas Freitas – colaboração para a AGEMT

 

Este ano o museu da Pinacoteca traz para São Paulo de forma inédita a exposição “Hilma af Klint: Mundos Possíveis”. Com 130 obras, a exposição fica em cartaz do dia 3 de março até o dia 16 de julho. Pela primeira vez é possível viajar pelos anos de vida da artista sueca Hilma af Klint (1862-1944) e conhecer seu trabalho.

Nascida em Estocolmo, Hilma mostrou interesse pela arte desde pequena. Aos 20 anos ingressou na mais conceituada instituição de ensino de Artes de seu país, um feito raro, já que naquela época mulheres ainda tinham pouco ou nenhum espaço dentro das universidades. Hilma se dedicou ao estudo da arte por anos e em 1906 iniciou a pintura de uma série de quadros abstratos, que antecederiam obras mais conhecidas do movimento artístico. Sendo assim, mais tarde essa se tornaria uma de suas séries mais emblemáticas.

Precursora do movimento abstrato, Hilma foi uma mulher que estava à frente de seu tempo. Durante sua vida pintou mais de 100 obras que retratam principalmente o “dualismo” em diferentes formas inovadoras demais para sua época. Após conhecer seu trabalho em 1908, o artista sueco Rudolf Steiner afirmou que a sua arte não seria aceita por pelo menos 50 anos. E Steiner não estava errado: seu trabalho só seria exposto pela primeira vez em Los Angeles nos anos 80, e sem uma boa resposta por parte do público. Prevendo a má recepção, Hilma pediu em seu testamento que o seu trabalho só fosse exposto 20 anos após a sua morte. Apenas em 2013 a sua obra, exposta em museus da Europa e dos EUA, tiveram o reconhecimento merecido. Finalmente em 2018 o público brasileiro poderá ver de perto o trabalho dessa artista tão talentosa, e ao mesmo tempo tão incompreendida.


Tive a oportunidade de conversar com Vivi, dona de um canal no YouTube que oferece um conteúdo voltado ao conhecimento de arte:

 

1- Qual a sua opinião sobre a exposição da Pinacoteca em São Paulo “Hilma af Klint: Mundos Possíveis”?

Eu fiquei totalmente impressionada com o trabalho da Hilma. Primeiro pelo tamanho das telas, que são monumentais, mas principalmente pela história e pesquisa dela; a mistura do pensamento místico, religião, filosofia, ciência. Os símbolos que ela incorpora, as cores…

 

2- Apesar de apreciada agora, a arte de Hilma af Klint não foi reconhecida quando exposta pela primeira vez nos anos 80. Por que você acha que passamos a ter contato só hoje com as obras dessa artista sueca? Acredita existe algum resquício de machismo nisso?

Eu não tenho informações sobre a recepção do trabalho nos anos 80 e a trajetória de exposições das obras da Hilma, mas estamos vivendo um momento importante de pensar a inclusão e vibrar o trabalho de tantas mulheres artistas talentosas que não foram suficientemente reconhecidas através da história. Fico feliz com a oportunidade de ver as obras dela de perto.

 

3- Muitos dizem que Hilma af Klint foi uma das pioneiras da arte abstrata no mundo, já que suas obras da década de 1900 antecederam as obras de muitos outros artistas conceituados. Você concorda?

Segundo o que vi na exposição, suas pinturas não-figurativas foram realizadas antes de trabalhos do Kandinsky, Mondrian, Malevich que são artistas considerados pioneiros da arte abstrata. Mas honestamente fiquei pouco presa a essa informação. Fui totalmente envolvida pelos códigos que ela coloca nas telas, as formas, a pesquisa… é um trabalho muito especial.

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