Por: Nathalia Alcoba e Tadeu Chainça

A questão da mulher no trabalho é discutida há muito tempo. Sabe-se que, infelizmente, ocorre uma desigualdade salarial nesse meio. Além disso, as mulheres enfrentam muitas barreiras para conquistar  um cargo alto.

Pode-se atribuir o contexto histórico e cultural como causa dessas barreiras. Antigamente, as mulheres eram encarregadas de cumprir unicamente as atribuições de casa e desempenhar o papel de esposa e mãe. Sua função era servir o marido e criar os filhos, enquanto o homem era o trabalhador, que colocava o dinheiro em casa.

Com o tempo, as mulheres começaram a trabalhar fora de casa e participar da rotina familiar de outras maneiras, inclusive como provedoras.  Mas elas sofriam (e ainda sofrem) com a cultura machista enraizada em nossa sociedade.

Muitas são vítimas de abusos, desde os verbais até os sexuais. O machismo em si já atribui rótulos para mulheres, que fazem com que suas capacidades sejam contestadas.

É recorrente escutar que uma mulher é sensível demais para liderar uma equipe e, principalmente, uma empresa. Segundo essa cultura, “mulheres causam problemas, pois precisam se ausentar em alguns períodos por conta de gravidez ou filhos doentes, fora que imagine ter uma chefe que desconta a tpm nos funcionários? É tudo louca!”. Tudo isso somado ao argumento de que o forte lado emocional afeta a habilidade de comandar tal empresa (que  necessita de lógica para a função).

E, dessa forma, a sociedade impõe à mulher papéis que influenciam e restringem suas escolhas profissionais. Em suma, a cultura machista não aceita a ideia de ter uma mulher no comando.

Os números que representam a faixa ocupada pelas mulheres nos cargos de chefia (sendo consideradas somente as diretorias executivas e os conselhos de administração) poderiam ser menores. Selecionamos 30 empresas do ranking “Valor 1000”, do jornal “Valor Econômico”, e concluímos  que a quantidade de mulheres é ínfima, sobretudo considerando que – de acordo com o IBGE (contabilizando os censos demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010 e a Contagem da População de 1996) – a população feminina no Brasil é maior e se encontra em constante crescimento.

Tabela das Empresas levantadas

Levando isso em consideração, os cargos dos mais altos escalões deveriam estar equiparados entre os gêneros  – um empate técnico, por assim dizer –, porém a diferença é mais absurda do que se pensa.

O espaço onde a disparidade ainda pode ser chamada de “menor” é o da diretoria- executiva..De um total de 211 diretores, 188 são homens e apenas 23 mulheres. Ou seja, uma diferença de 78% entre os dois gêneros.

Gráfico Diretoria

No caso dos conselhos administrativos o abismo é maior. Enquanto 18 membros, fixos e suplentes, são mulheres, os homens ocupam 296 vagas, o que, na prática, significa um monopólio masculino sobre a maior parte das grandes decisões das empresas

Gráfico Conselho

Numa visão geral, as mulheres ocupam apenas 8% dos cargos, confirmando a maioria esmagadora de executivos homens.

Gráfico Total

Por mais que digam que nos últimos tempos a mulher foi conquistando mais espaço, é preciso relembrar que ainda há muito mais lutas para serem alcançadas, visto que o levantamento mostra que há aproximadamente uma mulher para cada 12 homens em cargos altos.

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1 comment

  1. Quakeonthelake

    Excelente iniciativa do Conselho Municipal de Saúde de Joinville, quiçá 50% dos Conselhos exercessem suas atribuições conforme os preceitos legais. Quem vive o SUS como nós Conselheiros, experimentamos a angustia de ver os legisladores em função do Governo Federal sucatear o Serviço Público de Saúde. Há muito tempo, alguns Conselhos de Saúde, engajados nesta política, tem capacitado seus Conselhos a fim de torna-los capazes de discutir com seriedade a gestão da saúde. Só com capacitação dos conselheiros, seremos capazes de enfrentar o desmonte do SUS. Parabéns Fátima! Parabéns ao Conselho de Saúde de Joinville pelo brilhante trabalho. Forte Abraço. Milton Marcelo Hahn http://quakeonthelake.org/