Por João Pedro Polido, Alexandre Simoni e Lucas Toth

 

Recentemente a sociedade vem provando de um novo fenômeno nas redes sociais. As fake-news, como ficaram conhecidas as notícias falsas, vêm sendo tema constante nos debates públicos acerca de uma democracia saudável. A preocupação existe porque as características dessas informações inautênticas, e o modo como elas são transmitidas, possibilitam a perpetuação em alta velocidade de calúnias, injúrias e difamação.

Sempre se ouviu em redações jornalísticas frases como “cheque suas informações quantas vezes forem necessárias”. Essa importante praxe jornalística assegura o consumidor da notícia de que o que está lendo são fatos reais (por mais redundante que fatos reais possam parecer). Porém, a proliferação das fake-news, sejam elas por motivos políticos, ou até mesmo por inocente falta de informação, desafia o leitor. Ele mesmo, agora, tem que checar sua leitura e apurar a veracidade do que está lendo.

Recentemente, no Estado de São Paulo, mais especificamente na Grande São Paulo, a febre amarela ressurgiu estrondosamente nos noticiários. A morte de uma grande quantidade de macacos e meia dúzia de pessoas foi o suficiente para as autoridades médicas ligarem o alerta. A consequência disso: uma grande quantidade de pessoas em busca da vacina, procurando se imunizar contra a doença que possui grande taxa de mortalidade.

Não tardou a aparecer inúmeras informações falsas a respeito da doença e de seus transmissores. Textos, vídeos e áudios circularam na internet com informações como “tudo está sendo manipulado para criar medo na população”, “sempre enganam os menos informados”, “febre amarela é uma farsa criada para vender vacinas” ou “própolis espanta o mosquito da febre amarela”.

A argumentação que sustenta tais pretextos fica por conta dos criadores, pessoas mal intencionadas ou inocentemente mal informadas. O medo tomou conta de uma parcela desinformada que foi à caça dos animais. Entretanto, não passou de uma notícia falsa, desmascarada por especialistas como Leandro Jerusalinsky, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB), que esclareceu “Há o receio de que os macacos possam transmitir diretamente a doença aos humanos, mas esse receio é infundado. Isso não ocorre. Em vez de agredidos ou mortos, os macacos devem ser protegidos para que cumpram a sua função de sentinela, de alertar para possíveis ocorrências de surtos da febre amarela”

“Inocente pai de 4 filhos morre devido a atos imprudentes de manifestantes anti-Trump”, “Wikileaks confirma que Clinton vendeu armas para o Estado Islâmico” e “Obama instaura lei marcial e não vai sair do poder” são algumas das centenas de fake-news compartilhadas no Facebook durante as eleições americanas de 2016. Embora existam opositores da ideia do quanto essas notícias influenciariam o eleitor americano em seu voto, apenas “Denzel Washington apoia Donald Trump” recebeu 70 mil gostos e foi compartilhada 20 mil vezes.

A falta de checagem das fontes e a propensão ao discurso fácil de eleitores extremistas ajudam a propagação das fake-news, entretanto, por trás do fenômeno das eleições americanas estavam grupos e figuras com intenções claras de manipulação. James O’Keefe, jornalista direitista e conservador americano, está por trás do Project Veritas, organização “responsável” por investigar grandes veículos de imprensa norte-americano, mas cujo procedimentos não reconhecem limites, seja na utilização das fake-news ou na invenção de personagens, pois a mentira justificaria o fim – “revelar a corrupção e a desonestidade”. Segundo o Washington Post, um dos doadores do projeto em 2015 foi à fundação Trump, que contribuiu com 10.000 dólares.

O FBI conduz uma investigação sobre suposta interferência de Moscou no processo eleitoral, acusando a Rússia da massiva criação de perfis falsos para o compartilhamento de fake-news pró-Trump e a compra do espaço publicitário no Facebook a fim de polarizar a informação. Vale ressaltar que o Google já admitiu que agentes de Moscou gastaram milhares de dólares em anúncios por meio de serviços como o Youtube e o Gmail.

De acordo com Mark Zuckerbeg, dono do Facebook, “Não evitaremos todos os erros e abusos, mas atualmente cometemos erros demais ao aplicar nossas políticas para evitar o uso indevido de nossas ferramentas”. Uma declaração em respostas às acusações da influência Russa e da proliferação de fake-news. Independentemente do resultado, em uma eleição polarizada e com a vitória de Trump, o fenômeno requer atenção.

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