Varejo se movimenta para aumentar lucro durante Copa

A Copa do Mundo gera mudanças na esfera privada, na indútria e no espaço público.

Pedro Assis e Augusto Godoy

A Copa do Mundo é sempre um evento marcante para os brasileiros. Independente de onde a competição é realizada, a atenção de todos está voltada para a atuação da seleção. O “clima de Copa”, já tradicional para os brasileiros, é responsável por transformações notáveis na rotina de todos. Estas mudanças no cotidiano se  refletem não apenas na esfera privada, mas também no espaço público. Ruas pintadas, telões em praças públicas e bares cheios são cenas comuns em meses de Mundial, assim como horários diferentes nas escolas e empresas. E, como é de se esperar, a indústria não fica fora dessa farra.

Aproveitando-se do ânimo e da alta expectativa do consumidor brasileiro, que em grande parte supervaloriza o futebol, o varejo explora todas as variedades de produtos (bandeiras, buzinas, tatuagens, tinta etc.) que possam acompanhar o torcedor ao longo dos quase 30 dias de competição. Tradicionalmente, a população se reúne  para torcer pela seleção, o que potencializa o comércio e dá margem para bares, restaurantes e outros estabelecimentos tirarem sua parte do maior evento esportivo do planeta.

Por conta do ambiente e dos grandes telões que são instalados, os bares são a principal opção dos torcedores para acompanhar a seleção canarinha. A sensação de torcer junto com seus compatriotas enquanto se aproveita uma cerveja gelada é o que atrai  mais pessoas durante a Copa do Mundo. Este aumento de público é pensado e planejado pelos donos dos estabelecimentos, que se veem na necessidade de ampliar o estoque e a equipe para transformar o aumento da demanda em maximização dos lucros.

É recorrente o aumento de preços em estabelecimentos devido à demanda. O professor de administração Paulo Sergio Miranda Mendonça, líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Marketing de Serviços e Varejo da Faculdade de Economia e Administração da USP,  diz que o próprio consumidor é refém de suas atividades comerciais. Segundo ele, durante eventos como a Copa do Mundo, “há um clima de festa e alegria que torna os consumidores mais dispostos a gastar sua renda, e mais abertos a promoções e campanhas no ponto de vendas”. Mendonça alerta para os abusos cometidos nesses períodos e recomenda a utilização da internet – comparadores de preço, buscadores e delivery – para evitar gastos desnecessários.

Proprietária do Espaço 946 Hostel-Bar, em Perdizes,  Fabiana Rosa é formada em engenharia mecânica mas tomou as rédeas do estabelecimento há nove meses, quando se juntou a uma sócia para dar continuidade ao negócio da colega. Já com alguma experiência no ramo, vem realizando mudanças na estrutura física e administrativa do local. Nos fundos do bar, no quintal do imóvel, em meio a toalhas e roupas a secar, conversamos com ela sobre o novo projeto que inaugura antes da Copa.

Como se deu o investimento no bar?

Foi bem complicado, saiu bem mais caro do que eu esperava. Mas, por outro lado, eu me tornei sócia deste bar faz nove meses e percebi que boa parte do espaço não era utilizado pela outra dona, mesmo com o aluguel caro. Então criei um plano A: utilizar todo o espaço possível. Plano B: temos Copa do Mundo e este ano ela será na parte da manhã, o que favorece muito nosso espaço.

Vocês vão manter apenas um balcão no bar?

Não, teremos um bar dentro do bar (risos). Serão dois balcões, um aqui embaixo e outro lá em cima. A nossa grande intenção é resolver o tumulto que fica na frente do bar. A gente também está pensando em inserir novas cervejas no cardápio, algumas artesanais e até o chope, tudo para evitar a perda.

Aqui na churrasqueira vou colocar mais sete mesas com sete torres de chope. A iluminação também está quase pronta, vou colocar garrafas penduradas pela área para iluminar o local todo.

Vai ter novidade no cardápio durante a Copa do Mundo?

Vamos lá, você tem uma torre de chope de 2,5 litros, você põe duas garrafas de 600 ml, fecha o pacote, as pessoas vêm, assistem o jogo, socializam e se divertem, tudo isso em um ambiente muito familiar, porque esta é a intenção.

Há alguma promoção por parte das distribuidoras para vocês durante a Copa?

Não, eles não fazem nenhuma promoção. Na verdade o que acontece é que o imposto sobre a bebida é muito alto e o que nós conseguimos fazer é volume. Então, neste caso, fazemos um planejamento para trabalharmos com combos para mesas com seis pessoas e com um espaço bacana aberto para as pessoas fumarem, o que atrai muita gente.

Você está buscando formar uma clientela fiel com estas mudanças?

Na verdade a intenção não é esta, até porque clientela vem com o tempo. A intenção é utilizar este espaço único em Perdizes para transformá-lo em um lugar para pessoas e alunos da faculdade descansarem e conversarem.

Você vai contratar mais alguém para trabalhar no bar neste período?

Com certeza. Não somente para a Copa, mas para manter aqui, assim que este novo espaço estiver funcionando. Temos que montar uma equipe que seja simpática e receptiva com os clientes, afinal nós vendemos bem-estar. Busco  pessoas que conheçam os clientes e saibam seus nomes, afinal eles são clientes

Com a Copa e o consequente aumento de demanda, os preços vão subir?

Não porque estou trabalhando para isso. Minha previsão é que com o aumento da demanda eu possa dobrar o faturamento sem mexer no orçamento do bar.